Aquela família tradicional entrou no meu carro na região da Paulista. Na frente comigo um senhor e no banco traseiro três mulheres. Todos muito bem vestidos e educados. As mulheres, verdadeiras damas.

Após o embarque feito, rumei em direção ao destino, uma residência na região da Fradique Coutinho, lugar onde um jantar os aguardava. As mulheres conversavam entre si e como se pode imaginar, o homem na frente acabou puxando papo comigo já que estava meio avulso no ambiente. As mulheres falavam assuntos femininos num tom de voz baixo, como se pode esperar quando se trata de pessoas educadas.

Puxando papo, o homem me perguntou se aquilo no meu retrovisor era uma câmera. Respondi que sim! Então ele fez a segunda pergunta. O que você grava? Eu expliquei que ela ficava voltada para fora registrando possíveis situações no intenso trânsito da capital paulista, sobretudo quando você “roda” cerca de quatro mil quilômetros por mês. Complementei dizendo que aquilo representa segurança diante de alguma ocorrência no trânsito comigo ou mesmo com terceiros, já que diariamente eu testemunho dezenas de “quases” acidente. E numa hora dessas, as imagens farão toda diferença.

O engraçado é que quando comecei a explicar toda essa história a ele, percebi que já tinha a audiência de 100% dos ocupantes do veículo.

Continuei explicando. – O segundo motivo é meu blog, e expliquei a ele toda a questão do conteúdo que produzo, já que eu transportava pessoas que iam do rico ao pobre, da zona leste a zona sul, do umbandista ao evangélico… , e sem que eu terminasse a minha fala, o homem me olhou com um sorriso sutil e disse: – Judeu também né?

Todos no interior do carro já como meus expectadores, me pediram para eu contar histórias interessantes. Dado que se tratavam de pessoas educadas, pensei em contar histórias sobre pessoas que tinham sido gentis comigo.

Lembrei que, coincidentemente, três dias antes um rapaz que havia vindo de Brasília morar em São Paulo, e que este estava deslumbrado com a cidade, sobretudo com as possibilidades comercias existentes aqui. E que esse homem ao desembarcar na região da Faria Lima, antes de se despedir de mim me presenteou com um livro de bolso, o qual disse-me olhando nos olhos se tratar de um livro que me traria proteção já que no entender dele minha profissão era de risco. Assim sendo, continuou ele, que eu mantivesse aquele livro sempre junto a mim no carro.

Em sinal de respeito e gratidão, recebi o presente com as duas mãos, assim mesmo como na tradição japonesa. Complementei esse gesto com palavras de gratidão pelo presente e me despedi daquele homem, o qual se adentrou no hall daquele conjunto comercial com seu kipá. Olhei para o livro, o mesmo era novinho em folha, inclusive no plástico ainda. O pequeno livro era azul escuro, escrito “ZOHAR, Um livro de cura e proteção” na capa, em letras douradas.

No interior do carro, dando continuidade e falando ainda do meu projeto, comentei que estava pensando num novo nome para meu blog, uma vez que o atual nome continha em seu título a menção do nome de um dos aplicativos, e que eu estava “queimando a cuca” atrás de um novo nome. O judeu então num tom sério disse que todas as dúvidas que eu tivesse, eu acharia a resposta no livro que eu havia ganhado, e que para tanto bastasse passar as folhas e parar numa página de forma aleatória, que ali estaria a resposta da dúvida que eu pensara antes de folear o livro, e que inclusive que fizesse isso, pois numa página qualquer que eu escolhesse, ali estaria o nome o nome do meu blog.

Nesse momento havia um tom sério e de orgulho no semblante do homem, que aquela altura se mostrara orgulhoso pela sábia dica. Pensei: finalmente o nome do meu novo projeto estaria ali, num presente de uma pessoa que viera de Brasília. Um me deu a solução, o outro me disse como, onde e de que forma acha-la. Quase que na forma de uma profecia, tinha todos os elementos necessários para meu problema. Deus me mandou dois judeus que não se conheciam, mas que tinham como destino me ajudar. Uma coisa meio profética. Senti firmeza nessa história toda. Senti nessa hora toda a força daquele saravá!

Naquele domingo de noite, como não tinha pensado ainda no nome, lembrei-me da dica do judeu, e assim sendo fui até o carro buscar o livro. De forma cuidadosa tirei-o do plástico, me concentrei, e tentei lembrar de todas as dicas, passo-a-passo conforme recebera a orientação. Memorizado os passos, iniciei aquele ritual.

De forma cuidadosa comecei a folear de forma lenta as folhas daquele livro, o qual praticamente sumia no meio de minhas mãos. Deixei passar um quantidade razoável de páginas a ponto inclusive de sentir o cheiro de papel novo que exalava. Eis que decido parar numa página, com todo o cuidado para que o livro não saísse mais dali até eu ver em qual número minha escolha aleatória havia me levado.

No alto logo identifiquei o número, era na página 62. Tudo estava dando certo!  E então respirei fundo para iniciar a leitura já que as letras eram bem pequenas e as lâmpadas de minha sala não são das mais fortes. Aproximei-me do livro… e para a minha grande surpresa, estava lá, o livro todo escrito em hebraico!!!???

Confesso que fiquei decepcionado na hora, mas não desisti de lê-lo já que a resposta que procurava estaria ali, além de todo aquele lance da profecia. Resolvi baixar um tradutor eletrônico na loja de aplicativos. Após instalado, iniciei o processo de tradução, pois arrancaria o nome dali a qualquer custo, porém como as letras eram pequenas, minha câmera não conseguia focar naqueles parágrafos em hebraico. Que decepção!!!

Não me restou outra alternativa senão ir dormir desapontado. Além de não descobrir o nome do meu blog no ZOHAR, outra dúvida pairou sobre mim naquele momento. O que foi aquilo que senti no momento que recebi a orientação do homem a qual imaginara o tempo todo que seria um “saravá meu pai”?

צאט אספלט

Add comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *